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Posts Etiquetados ‘jornalismo’

.retalhos (urgentes) do dia.

1. Oi, tô escrevendo na corrida, antes de viajar pro feriado, porque daqui a pouco ou mais tarde, eu não sei. Não sei se vou conseguir. Não sei se vou parar para. E é sempre assim.

2. A ladainha: cada vez mais coisas, cada vez menos tempo. Cada vez mais gente dizendo. E se todo mundo está dizendo, quem está sendo ouvido, ou lido? Esta é uma das melhores questões do francês Dominique Wolton (2005). Por isso vou ser breve nos meus retalhos.

3. Só vim pra contar do LANÇAMENTO OFICIAL do livro (Demétrio já contou aqui) do qual eu sou uma das organizadoras (isso é sucesso), junto com 3 colegas professoras da UNIFRA, Laboratório de Pesquisa em Comunicação, resultado das nossas pesquisas realizadas nos últimos anos (são 2 volumes!).
O meu texto principal – “A COBERTURA JORNALÍSTICA DA MODA: A TENDÊNCIA FASHION WEEK NAS BANCAS” – é parte de uma delas, sobre a 21a edição da SPFW.

Bom, então, o SUPERLANÇAMENTO pro povo da comunicação vai ser HOJE, 5 de setembro, durante as atividades do INTERCOM, em Curitiba, das 19 às 22 horas.
Local: Biblioteca do Campus Positivo.

capa midia e processos

Não estarei lá, mas estarei bem representada. E já tem nas livrarias gente! Que legal, né?

4. Por causa de um curso, tenho pensado sobre tendências. Sei não… Pressupor/apontar algo que pode (ou não acontecer) pode estar nos lugares mais estranhos. Em qualquer lugar. Por isso é preciso olhar direito. Sempre. E é tão difícil agarrar a dinâmica desse mundão. Voilà. Para pensar muito ainda (e já me arrisquei aqui, “chutando” que tendências são last week)…
\o/

CONNECTIONS: abre a caixa de pandora

# CONNECTIONS 3: “Olha as mesmas figuras e vê o outro lado delas…” (Stuart Hall)
"A que futuro nos parecemos?"

Como conectar, então?
Ter sensibilidade pra saber que o consumidor tem nuances particulares já é um passo pra esta sincronia. Não usar modelos prontos também: o “enxoval” das mídias, como Mini comentou.
Quanto mais focarmos o olhar para estas pessoas (a maioria jovens) pra saber mais sobre os diferentes usos e apropriações de novos espaços e mídias (e isso até vem sendo feito), mais é possível se aproximar. Ali, atrás dos avatares, as pessoas são muito mais espontâneas.
Estamos falando de audiências estreitas, muito específicas, ricas pela sua complexidade, pois.
Tudo pode parecer muito óbvio, e é. Mas dizer o óbvio pode ser inovador e, neste sentido, também, algo importante.

# CONNECTIONS 4: ABRE A CAIXA DE PANDORA

Li uma analogia bárbara dia desses que dizia que chamar a atenção hoje é tão difícil quanto tentar conversar com alguém que usa fones de ouvido.
Por isso a ideia (e o conteúdo) tem que ser boa, o que nao quer dizer complicada. Talvez o ideal seja simplificar, fazer o mais simples, quando tudo está tão excessivo.
O importante é, pois, aquele algo que faça eu, vc e todo aquele mundo (do target, no mínimo) se identificar, conectar (bota palavra adequada nisso!).
Penso que tem a ver com um modo de fazer publicidade e jornalismo menos rígido, mais intimista e próximo de cada um.
As co-produções com o público já estão aí e dão muito certo. Trazer as pessoas pra fazer junto.
Sugestões deste tipo, EdgarMorin já dava nos anos 50. Falava das massas, mas serve também ainda hoje pra falar de audiências estreitas, porque continua a lidar com pessoas:
no que se refere a produtos ou conteúdos, as propostas têm que fazer a gente aspirar, se projetar ou simplesmente se inspirar. Mesmo que seja com meu vizinho da rede social.
A menos que eu esteja errada, ele quer/precisa sua atenção sim.

Possivelmente estou reiterando coisas pensadas, ditas e feitas.
Isto porque a dinamicidade particular da comunicação está mesmo num processo aberto e em andamento, no qual nao se pode determinar modos de fazer, com modelos e “best ways”.
É querer dar fórmula ao que não tem fórmula.

Então, se não temos as respostas, pelo menos temos as questões, que nos mantêm inquietos.
Por fim, uma mensagem, siga a geografia que seguir, conecta com o público quando ela souber dizer de uma forma simples:

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WARNING: questões e conexões

# WARNING 1: – Eu não conheço o futuro. Não vim aqui dizer como isso vai acabar. Eu vim aqui dizer como isso vai começar.

Esta é uma das frases finais do filme #MATRIX, de 2001, que eu revi no fim de semana.
Apesar de nem este post, muito menos eu termos respostas pra este ponto de partida , penso que o trecho pontua a “encruzilhada” experimental que a comunicação vivencia.
Segunda, no Curso de PP da Unifra/RS, onde sou professora, tive uma ‘Aula’ com o Gustavo Mini, gestor de Conexões da Escala (POA) e editor do Conector. Ele falou sobre o que entende por Conexões tanto do ponto de vista conceitual, quanto prático, compartilhou as experiências do departamento de Conexões da agência e os aprendizados que têm tido.
Sobretudo, as tentativas de inovar em propostas publicitárias que ultrapassem as mídias tradicionais, num momento de transição “em que velhas práticas não funcionam e as novas ainda não se estabeleceram”, nas palavras dele.
Na Escala, o termo “conexões” vem da própria missão da agência, que é “gerar soluções em comunicação […] para CONECTAR marcas a seus públicos.
Palavra-chave hoje, sem dúvida.

Do encontro me surgiram várias questões e algumas possíveis conexões (tanto que dividi o post em dois) sobre as tendências em comunicação e novas mídias nesta “sociedade em rede”, mesmo que no nível da reflexão.
Porque sim, não tenho dúvidas que discutir um assunto como este rende pano pra manga. Tampouco que é belo na teoria, porém nada simples no dia-a-dia de uma agência ou de site noticioso. Quando aquela deve ter (novas e diferenciadas) soluções com pouco (ou quase nenhum) recurso, fazer o cliente ser pertinente no desktop do consumidor.
Ou descobrir como fazer minha notícia gerar receita para o meu jornal se o cara não lê as notícias direto no site no jornal, mas por RSS, google reader etc…
Chamar a atenção, simplesmente.

# WARNING 2: “[...] Para onde vamos daqui é uma escolha que eu deixo pra você.” (final de Matrix).

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Em Matrix, o projeto era de que em 2199 se chegasse ao estágio em que as escolhas [entre a imensa oferta de produtos e informações] estariam nas mãos da gente.
Por volta do lançamento do filme (2001), no entanto, a cultura digital se tornou senso comum. E então, uma história que já conhecemos: mais e mais pessoas com acesso à Internet, sempre mais novos aparelhos tecnológicos, muito mais de ‘1000001’ de opções de acesso à informação (não só na web) e, também, outras formas de comunicação entre as pessoas, as redes sociais.

Outra decorrência óbvia é uma mudança no comportamento de uma parcela das pessoas (os jovens bem mais receptivos) em função dessas experiências possíveis de acessar e escolher, ora no computador, celular ou Blackberry.
A fala do Mini levantou esta já evidente fragmentação da audiência e as mudanças dos comportamentos que exigem novas atitudes e propostas de comunicação e marketing principalmente from now on.
Mas hoje isso vai além.

# CONNECTIONS 1:
Sim, são muitos os perfis, porque o público está disperso com tamanha variedade.
Pode estar em muitos lugares sem fixar sua atenção em nada.
A audiência-consumidor está EM MOVIMENTO, se comunica de forma diferente, enxerga diferente, presta atenção pra coisas que não prestava antes. Por isso também é tão HETEROGÊNEA. Tão inquieta e tão exigente.
Enquanto há os Rafinhas 2.0 antenados e ativos nessa evolução, escrevendo em seus blogs, colaborando em outros e logados em 3 ou 4 redes sociais (como Orkut, facebook, myspace, Last.Fm, twitter, Flickr etc), ainda vai ao cinema, assiste telejornais e, mais que isso ; há aqueles tantos, como meu pai, que ouvem a rádio AM local e leem jornais impressos da região, mesmo que até façam compras pela internet e chequem e-mails diariamente.

Quer dizer, o consumidor-usuário das redes sociais não é só um ator da internet como das mídias tradicionais.
Então, nem pra fazer pesquisas em Comunicação, nem pra pensar em propostas nas agências, por exemplo, eu não posso pegar a Internet excluída da ecologia da Comunicação.

# CONNECTIONS 2:
Parando pra pensar em tudo isso, nessas diferenças entre os consumidores de 15 anos atrás (que ainda era visto de forma generalizada) e os de hoje, só olhando mais perto pras suas motivações (as minhas mesmo), as relações diferentes que estabelecem entre si, como se comunicam e interagem (desde um torpedo a uma foto), como se mostram.
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As redes sociais oferecem ferramentas para viver uma vida online (fotos, msgs instantântes, vídeos, fóruns, boletins, sms mobile, blog): ambientes socializadores e de relacionamento– tem pessoas, conteúdo, entretenimento/cultura etc –, ou seja, funcionam como lugares pra auto-expressão, onde os usuários têm projetado sua(s) identidade(s).
ok, nada novo.
Mas viver-perceber a comunicação, hoje, é constatar que qualquer um de nós pode ser um canal, um meio. Vidas (audiência) que também têm audiência.
E que tem sido super levadas em conta por leitores-interagentes (sejam simplesmente contatos, “amigos”, leitores do blog ou followers). Vidas capazes de formar opinião (opiniões dos públicos) e, claro, sendo os formadores de opiniões. Não precisam chegar a ser webcelebrities. Ainda que estes já existam.
Trata-se de uma complexidade que deve (e já está) ser dimensionada pelos profissionais muito mais de perto. (SEGUE NO POST ACIMA)

.a ‘diaba’ nos bastidores: lado B?

Foi agorinha, no final de janeiro, que o documentário “The September Issue” recebeu o The Excellence in Cinematography Award no “Sundance Festival”. Nele, o diretor R.J. Cutler acompanha os bastidores da editora-chefe Anna Wintour e da sua equipe fazendo a Vogue de setembro de 2007 (li aqui e aqui no filmefashion).

The September Issue

Ando pensando muito nas relações de poder e no papel/poder feminino (ou não). E no quanto de representações deste tipo falam só da moda (ou, por outro lado, se não falam mais – e também – de relações entre pessoas) – que nao precisariam ocorrer somente numa redação de uma revista DE MODA.
E, ainda, como essas ou esta profissional/pessoa interfere e tem interferido em todo o “mundinho” e na definição das tendências.
Porque eita que tem gente sem noção…em função disso. E num é?

Louca pra ver se o documentário surpreenderá sulinos.
Premiado já é. inxalá!

"Engenheiros do Hawaí já basta um!"


Na semana do Dia Mundial do Rock (dia 13), o PORÃO do Beco fez uma programação (aqui) tudibom, que vai até o domingo. É o GIG ROCK. O mais bacana é que a agenda não se limita às festas com show de bandas (conhecidas e outras nem tanto e tb dá espaço pras novas), porque promove também o GIGRockDebate e o Rock ‘N’ Talk.
no sábado passado, dia 05, fui com uma amiga ao GIGDebate – “Comprei uma guitarra. O que eu faço agora?”, no qual o jornalista Marcelo Ferla mediou um papo muito interessante com uma galera especial du rock (Pablo Miyazawa, editor da revistaRolling Stone), Lelê Bortholacci (empresário e produtor, da LB Produtora) e o Jimi Joe (hoje na Unisinos FM, mas que é também rockeiro e que já trabalhou até no Estadão escrevendo sobre o música). O Mini, da Walverdes, não pode ir, justificou, e vai neste sábado agora.
Confesso que fui como uma curiosa do jornalismo musical e saí de lá faceira pq aprendi muito.

O que eu faço agora? ou melhor, o que eu devo fazer sempre!
Os insights e as falas de cada um no tal debate (visões diferentes, inclusive) foram aulas de jornalismo e foco em carreira (não só musical), sobre alternativas independentes, sobre a visão que se tem da cena gaúcha etc etc etc.

O que mesmo?

- sobre a guitarra, escolha sempre a de melhor qualidade (as importadas são normalmente as melhores), pra que isso se reflita no resultado do som. normalmente isso é levado em conta por produtores, produtoras, radialistas e tal. Pra não doer o ouvido -, é o que destacou o experiente Jimi Joe.
- o produtor da Fresno, Lelê, por outro lado, não está nenhum pouco interessado na qualidade do material; mas na (auto)repercussão do grupo/banda, cantor, na capacidade que a mesma tem de se publicizar hj com os recursos possíveis hj na internet, por exemplo, e nos festivais independentes. Quer dizer, as novas mídias (redes sociais – Myspace, orkut etc, neste caso) permitem que uma banda se projete e conquiste fãs e seguidores. e é este fenômeno que um produtor vai observar, a exemplo da Fresno, Malu Magalhães etc.
- Pablo, da Rolling Stones, deixou claro que o RS não se destaca por “rock gaúcho” algum. não há regionalismos no rock brasileiro, nenhuma diferenciação, sequer artista que se apresente desta forma.
o que ocorre aqui, na verdade, e que não foi comentado, digo eu: não é que exista um “rock gaúcho”, é o RS que é um estado cuja identidade musical passa pelo rock (além da música tradicionalista – e não pela música sertaneja como São Paulo, por ex). seja o gosto pelo rock “desterritorializado” ou o rock feito aqui.
neste caso, o que se evidencia é o bairrismo do gaúcho, que leva a uma pergunta como a do Ferla.

- entre as coisas mais interessantes – e óbvias, porém – , foi o conselho de todos da mesa: ser autênticos na sua música (e aí que me remeteu ao jornalismo). “Não adianta querer copiar. Engenheiros do Hawaí já basta um!” – larga Jimi Joe.
e aí seja Engenheiros, Beatles ou qualquer outra banda.
isto está ligado a várias questões: na criatividade, no talento, no trabalho duro de produção, nos estilos, em acertar nas escolhas etc e, tb, ao próprio ciclo da produção musical (e da comunicação) hj. pq até tu copiar alguém bem, tu já é tão “last week”. então tem que ser original.

Quem está começando hj, até conseguir ser bom e engrenar, precisa ter e seguir um foco – uma proposta -, encontrar estilo e um diferencial.
Copiar não tem jeito. Ferla foi enfático quanto a isso.
Isso me fez (re)pensar muito o meu blog tb e confirmar pq eu (ainda) escrevo pouco aqui. e mais: p q não escrevo mais sobre semanas de moda e dress-code e tals, apesar das pessoas pedirem.
Primeiro, porque já tem muita gente que faz isso no resto do Brasil, e bem! (e estando em são paulo e no rio) segundo, pq no meu blog, eu trago pitacos sobre tendências, moda, comunicação e comportamento. minhas interações com assuntos destes universos. enfim, tudo o que realmente me comove nesse mundoo hj.
porém, talvez não tenha realmente engrenado, por não ter achado um (o meu) diferencial.
a falta de tempo, claro, não me faz dar conta de nada disso, mas tenho certeza que se eu tivesse mais clareza sobre meu foco e meu diferencial aqui (linha editorial) e até o público pra quem eu falo, tudo seria mais fácil e os posts fluiriam.
é hora de engrenar, pq esse tanto de visitas que eu tenho tá me deixando teeeeeensa. eu prometo melhorar. =)

ah:
a) não comprei a guitarra, mas o violão tá na lista de espera.
b) tem GIGRockDebate, no sábado, dia 12, às 17h (olha quanta gente bacana + Mini que faltou no último sábado)
- Fabrício Nobre (Abrafin-Monstro Discos-MQN)
- Tiago Carandina (MySpace)
- Roger Lerina (Zero Hora)
- Iuri Freiberger (Tom Bloch-Curador do Gig Rock)

c) e Rock ‘N’ Talk no domingo, dia 13, tb às 17h, discutindo os Caminhos Alternativos pra produção musical. mega bate-papo com mediação do Frank Jorge.
para os 2, tem que levar um kg de alimento não-perecível.

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fashion, business, celebrities


O curso de crítica da moda tá indo muito bem.ontem, no segundo dia, em que além da Maria Prata (editora da Vogue) tínhamos a Vivian Whiteman (editora da Folha de São Paulo), a discussão chegou ao ponto nodal: a crítica de moda vinculada ao mercado porque a moda é um negócio e ponto.
Ora, alguém tinha dúvida? Nenhuma novidade (até porque a história das revistas mostra que a publicidade de moda é um dos principais pilares que sustenta as publicações). A liberdade está associada ao mercado de moda. porque a moda contemporânea é a moda determinada pelo mercado, não existe moda-arte. A editora da FSP foi taxativa.
A dificuldade é: como lidar e como trabalhar com isso, como fazer crítica de moda nesse cenário, pra que lado vai ou está indo o jornalismo de moda? que moda é essa? que jornalismo é esse?
o jornalismo de moda é necessariamente um jornalismo de moda comercial?

Então, foi o próprio movimento comercial da moda no BRasil, acompanhado e potencializado pela cobertura de jornais, revistas, tv, sites, blogs que vem consagrando cada vez mais a moda como show-business.
o fato é que a abordagem de pautas tb mudou em função disso (e vice-versa). a recorrência de matérias ligadas a “quem é destaque nas semanas de moda” na e fora das passarelas, a bastidores, famosos, ao belo, ao bizarro, ao exagerado, voltadas mais para o entretenimento (e não apenas nas revistas de celebridades) aumentou muito e é preponderante.

isso tb é muito cultural num Brasil que se inspira nos seus artistas nacionais e nas novelas, difusoras de tendências, em marcas que levam atores e atrizes e cantores famosos pras passarelas, em revistas de celebridades que não falam mal da vida de seus ídolos (fenômeno nacional).

Por que?

O culto às celebridades (iniciado nos anos 60, com o boom da televisão), foi anunciado em 1969 por Edgar Morin quando argumentou no livro “As transformações da cultura de massa no século XX”, a respeito da “nova” mitologia, apta e responsável por edificar um “Monte Olimpo” (a morada dos deuses gregos), na qual os olimpianos – as “celebridades” – circulam permanentemente entre o mundo da projeção e da identificação, mecanismo do qual a mídia se apropria.
ora, as revistas, jornais, sites e tal, a partir de seus “personagens”, despertam desejos de identificação, aspiração e consumo, já explica Morin 40 anos atrás.
então, o que o Morin explica na teoria é o que acontece de verdade com as pessoas e as marcas fazem na prática, pra vender mais e se fortalecer:
colocam as celebridades lá pra desfilar e, pra completar, a mídia faz a cobertura com bastante destaque.
é isso também que explica os sucessos de novelas cujos temas é uma vida luxuosa e as revistas estilo Caras, QuemAcontece… – os pobres lêem porque aspiram chegar àquele universo, os ricos obviamente porque se identificam. no final das contas, todo mundo quer é consumir aquilo.

ah, e essa tendência contemporânea no jornalismo – jornalismo-celebridade – (e em que a moda está inserida, mas não é exclusiva, penso que é um momento em que isto vem sendo potencializado pela(s) própria(s) realidade(s) social(is) e por suas diferenças, pela “experiência imagética” da oferta excessiva e cultura do entretenimento e do consumo, que a gente entende simplesmente vivendo, ou lendo Melinda Davis, no livro A nova cultura do desejo (de 2003).
um processo que mais do que entender, precisamos (vi)ver. enxergar, mesmo. sem pressa.

FOTO: João Kaarah – SPFW julho 2006

a cultura da argumentação

venho dizendo aqui e no ‘tuiter’ que vou falar sobre novas mídias e tal. por enquanto nada demais. só algumas ‘conexões’ nada novas que fiz ao ler o livro Uma História Social da Mídia: de Gutenberg à Internet, de Asa Briggs e Peter Burke.
quer dizer: o que mais preocupa não é uma “rendição” da cultura à tecnologia mas o que os autores chamam de uma cultura de alegação e afirmação, à custa de uma cultura mais antiga de verificação (fontes anônimas, gates, autenticidade, critérios,…).
É exatamente a discussão desde sempre entorno dos blogs – uma tendência jornalística, uma ferramenta, uma forma de jornalismo.
Há diversos exemplos já deles que fazem um trabalho sério, de pesquisa, de checar infos e tal, como é sabido, além do famoso Noblat (que, aliás, se trata de um trabalho feito em equipe).
nestes casos, os blogs vêm pra complementar, obviamente, não pra substituir o jornalismo.
bueno, o assunto rende…

Um comentário do pesquisador Walter Lipmann, de 1920, trazido por Bill Kovach e Tom Rosentiel (estes sem data) expressa bem a preocupação contemporânea tanto dos grupos de mídia, quando da própria classe jornalística em qualquer um produzir conteúdo. afinal, todo mundo pode ser jornalista?
No livro está exatamente assim:

Tanto a razão pública quanto a privada dependem da [importância de se ter um relato preciso e confiável dos eventos]. Não é o que se diz, nem o que se deseja, mas o que é independentemente da nossa opinião, que se constitui a pedra de toque da sanidade. Habermas concordaria.