Raves e comportamentos

abril 19, 2007 § 5 Comentários

Uma experiência inédita para minha idade. Comecei a curtir festas de música eletrônica embalada pela empolgação da minha amiga Isa que faz a gente encarar o tranco dos hits e batidas pela animação e brilho do olhar (e mais outras purpurininhas, hehehe). Agora, a minha primeira rave, foi especialmente marcante e tenho que fazer um adendo.
A festa foi na Ilha das Flores, às margens do Guaíba, em Porto Alegre. Chegamos até lá com um grande barco, um “cisne branco”, algo realmente diferente.
O espaço do outro lado das margens?
Belíssimo, organizado, show de telas, luz, cores. Incandescente.
As batidas pesadas do som fazem tremer meu peito até agora, quando lembro.
Tem a ver com o ritmo da música eletrônica e da proposta mesmo das raves. Essas festas surgiram na Inglaterra (Manchester) no final da década de 80 e, segundo o que andei lendo, tiveram inspiração em festas dos clubes de Ibiza (Espanha), nas quais tocava qualquer gênero musical.
Nessa época, no cenário inglês, digamos assim, as baladas eram conhecidas como “acid house party” e o termo “rave” (delírio), nem existia.
A expressão surge, exatamente, pra definir o que são esses momentos: música eletrônica + ecstasy e ácido lisérgico = ESTADO ALTERADO DE CONSCIÊNCIA.
E olha, faz jus ao significado mesmo para quem é anti-drogas, como eu.
Na festa que eu fui esse ano, vi muita gente bonita, a maioria jovem. E ouvi muitas batidas. Também dancei e me diverti com as minhas amigas. Mas vi também atrocidades – violência inclusive, brigas – que só a bebida e as drogas alteram as pessoas.

As bancas de bebidas vendiam também repelente. Ah, tinha uma de doces, com pirulitos diversos.
Vocês sabem pra que, não é? As “doces” e diferentes sensações é o que a maioria dos frequentadores busca nesses encontros. Liberdade e emoção ao som de eletro e pesados hits.
A experiência me fez pensar o que faz de verdade toda essa gente procurar uma festa assim? Por que estavam lá a se movimentar freneticamente (sem parar)? Diversão mesmo? Ou fuga de alguma coisa?
Talvez bobagem eu pensar isso…
Mas qual o perfil desses ravers, clubbers, consumidores e adoradores da música eletrônica desse tipo (porque sei que são várias – ai e não sei diferenciar as batidas)? Ou melhor, há um perfil dos simpatizantes, pelo menos aqui em Porto Alegre?
Porque ainda que se trate de auto-afirmação, ela não é ideológica. Mas geracional.
Penso cá.
Eram tantos diferentes.
É verdade, estavam experimentando e curtindo um mesmo estilo musical e até estético. Mas eram pessoas tão heterogêneas entre si. Na idade e no modo de vestir.
Naquele sábado, havia algumas “tribos” específicas, sim, não um estilo apenas. Os guris de regata e colares, as patricinhas e mauricinhos descolados, os vips. Gente diferente e comportamentos parecidos. Dançando por horas e…
“É um lugar pra quem quer se exibir, se mostrar também e não só se divertir”, comenta Letícia, 29. É uma “fazeção”, acrescenta Samanta, 30.
Interessante que aqui no Brasil, até em rave se configura a diferenciação social. A estrutura da festa isolava uma área para os VIPs, certamente os convidados dos patrocinadores. Ali estaria, digamos, o melhor da festa: os mais bonitos, desejados e supostamente ricos: literalmente “the very important people”. Pena, porque a proposta seria justamente ser algo democrático.
O que vi sim, são formas de sociabilidade. Não novas, mas diferentes, que a cultura da internet e da música eletrônica e digital nos permitem no campo real. Porque geram esses encontros e trocas verdadeiras.

Vivi e parti no primeiro barco que voltou.
Como é linda a capital vista de barco à noite!

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§ 5 Respostas para Raves e comportamentos

  • ISA disse:

    Nossa música diz tudo sem falar nada… YOU GOT TO FEEL THE VIBE!!
    Nossa língua é única e é VERDADEIRAMENTE UNIVERSAL!
    Não fala de amores amargurados,não se trata de um samba carregado de tristeza, não expressa sonhos e aspirações futuras.
    NADA DISSO !!! Então entenda… nossa música não tem letra porque deixa soar e se propagar unicamente o presente, aquele presente livre de aflições, egoísmo, posse… Se tudo que podemos viver é o “segundo imediato” (como fazem os recém natos, ainda aprendendo a estabelecer conexões simpáticas), estamos livres, puros e felizes!
    Deixo um texto que descreve muito bem uma rave e quem conhece acaba querendo morar em uma… É PERFEITO!!!!

    “Já sentiu como se tivesse total controle sobre seus sentidos? E todos eles fossem totalmente apurados de modo que você pudesse ouvir melhor, sentir melhor? Entrar em um transe,INDEPENDENTE DE DROGAS, onde todas as pessoas são felizes e, naquele momento, não existe dor,nem fome,nem inveja,nem tristeza…
    Os sentimentos ruins do mundo ficam do lado de fora.
    Apenas um estilo de música pode fazer isso…
    Você pode imaginar um lugar onde todas as pessoas estão na mesma vibração, onde só uma batida pode fazer com que o mundo seja outro, onde as pessoas se gostam e se divertem como nunca e, após ter saído de uma festa, você pensa: “Putz, acabou!”
    Se um dia você conseguir imaginar um mundo onde todas as pessoas fossem felizes e não ouvissem coisas ruins, neste mundo só tocaria música eletrônica e se chamaria RAVE!”
    (autor desconhecido)

    Obrigada pela homenagem, amiga linda!!
    Te adoro!

  • Daniela Aline Hinerasky disse:

    isa, curto a vibração, a linguagem,
    entendo a cultura eletrônica.
    o texto que tu publica também é perfeito.
    mas a realidade dessas festas não é essa magia independente de drogas para todos. para alguns até pode ser.
    não foi o que vi.
    o estilo e o ritmo da música podem transformar muitas coisas.
    nós mesmas, inclusive.
    valeu o cabide!
    também te adoro.
    continuarei ouvindo música eletrônica, mas no meu canto!
    bjocas.

  • Aquiles disse:

    Antes deixa eu dar oi pra vocês gurias…Tudo bem?

    Nossa como é difícil escreve, ainda mais para alguém como eu que já não estou mais acostumado.

    Eu discordo tanto de você quanto da amiga Isa, e na verdade acho que ela falou uma bobagem imensa acima, no seu comentário, mas acho que falou mais na defesa de algo que ela gosta, aí “vale tudo” né?

    Mas, ainda assim, pra mim, alguém dizer: “Nossa língua é única e é VERDADEIRAMENTE UNIVERSAL!” é quase um pleonasmo, pois pra mim toda música é única é universal. Afirmar que ela é verdadeiramente universal é negar o fato de que a “música” é uma arte e de que toda arte em si é UNIVERSAL. Universal porque ela é capaz de tocar qualquer pessoa, não interessando idade, raça, credo ou nação, de maneiras diferentes. Universal porque é livre; é uma forma de expressão que encontra limites simplesmente na capacidade criativa do ser humano. Prova da sua universalidade é quantidade de coisas diferentes que encontramos por aí.
    É verdade que a música eletrônica “Não fala de amores amargurados, não se trata de um samba carregado de tristeza, não expressa sonhos e aspirações futuras. NADA DISSO!!!”, realmente ela não fala nada mesmo, geralmente são músicas sem letras, mas como qualquer outra música ela é capaz de trazer a tona sentimentos diversos nas pessoas que a escutam. “Então entenda… nossa música não tem letra porque deixa soar e se propagar unicamente o presente,…”, essa frase também poderia pertencer a Mozart, ou Beethoven, ou Bach ou outro erudito qualquer. Então, pra mim, entenda: o que eu quero dizer é que seja psy, trance, techno, drum´n bass, elas não são privilegiadas, elas constituem um estilo de MÚSICA, e é mesmo uma pena que uma pessoa encontre isso apenas num estilo musical com tanta coisa boa que existe por ai.

    Para encerrar coloco um trecho do texto que Isa colocou no comentário dela.

    “Já sentiu como se tivesse total controle sobre seus sentidos? E todos eles fossem totalmente apurados de modo que você pudesse ouvir melhor, sentir melhor? Entrar em um transe, INDEPENDENTE DE DROGAS, onde todas as pessoas são felizes e, naquele momento, não existe dor,nem fome,nem inveja,nem tristeza…
    Os sentimentos ruins do mundo ficam do lado de fora. Apenas um estilo de música pode fazer isso…”

    Sim, já senti e não foi apenas indo à Raves. Sim, eu já fui e gosto de Raves.
    Discordo que apenas um estilo de música pode fazer isso. Pra quem gosta de MÚSICA muitos estilos podem fazer isso. (Incluindo música eletrônica).

    Isso é o que penso a respeito da música.

    Dani, já você falou de duas coisas diferentes tribos e música. A verdade é que as duas andam juntas. As tribos adotam estilos de música para representarem o seu “movimento” organizado ou não. Exemplos? Temos muitos: rap para o hip-hop, reggae pra surfistas e hippies, emocore pra emos, hardcore para os neopunks e etc. O que acontece é que quando algo novo vira “moda” todas as tribos “experimentam a novidade”, e eu acredito que aqui em Porto Alegre isso que aconteça com mais força por n motivos, mas muitas vezes um lugar que estava destinado a recebe uma tribo é “invadido” por outras tribos e o que tinha por finalidade ser uma diversão, acaba virando um confronto de culturas e no fim vira isso: “… “É um lugar pra quem quer se exibir, se mostrar também e não só se divertir”, comenta Letícia, 29. É uma “fazeção”, acrescenta Samanta, 30…”. A questão da diferença social no Brasil realmente é marcante, nesses lugares podemos observar isso, mas acredito que existe em todos os lugares só que em diferentes proporções.

    Bom, escrevi o que eu penso, desculpem qualquer coisa e claro os erros de português. Espero o que escrevi esteja entendível.

    Beijo

    Aquiles

  • fui em uma rave esses tempo e escutei um som que dizia “PIRULITO É BOM” mais nao lembro quem tocou, e nem lembro mto OIAUEAI”!!! Se alguem manjar por favor da um toque ae!!

  • me fala qual foi a rave que você foi que te digo, JUNIOR BRUGNARO!

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