Narcisismo, ego e a cultura das aparências

setembro 26, 2007 § 4 Comentários

espelho de uma tenda da feirinha de antiguidades em frente ao MASP:
a vaidade não é algo contemporâneo!!!

Foi um scrap no orkut que a fez pensar sobre essas questões todas.
Mas nao só isso. Toda essa cultura de postar fotos, definir o perfil, a identidade aqui e ali neste mundo virtual (é blog, orkut, myspace.com, ….e em qualquer site onde se queira delimitar “território”) – uma cultura narcisista, diga-se en passant.
Na essência, ela acredita que todo mundo é um pouco narcisista, a não ser quem tem uma auto-estima muuito baixa. Ou os que realmente são reservados (ou se dizem assim). Mas mesmo esses, se não querem ser vistos, pelo menos querem ser lembrados.

Ah, “espelho, espelho meu, existe alguém mais bacana do que eu?”
Ha, hahah….

O narcisista é aquela pessoa que tem entre as características de sua personalidade a paixão por si mesmo.
Como tudo que é em excesso é ruim (e pode chegar a ser patológico) – a própria expressão “narcismo/ista” tem um tom pejorativo, denota vaidade ou egoísmo. Mas já Freud acreditava que algum nível de narcisismo é uma parte de cada um de nós desde o nascimento.
Sem falar que todo mundo sabe o quanto é fundamental se valorizar. (Por que? Porque a gente só é capaz de “dar” ao outro o que a gente tem de bom. Isso se soubermos “ver” e valorizar isso).

ELA acredita que a cultura da visualidade, das imagens, das aparências, predominante nos dias de hoje, é reflexo de um momento em que vivemos. Expressões nem um pouco novas designam nossa sociedade “espetacularizada”, marcada por sujeitos e instituições que se consolidam apenas numa “esfera pública”, num espaço compartilhado, alavancados em discursos construídos apenas através da mídia (incluindo agora mais do que nunca, a internet), normalmente, por especialistas. Profissionais.

Talvez haja pessoas mais interessadas em (a)parecer.
Pessoas e grupos cultuam estereótipos, aparências, belezas engessadas, corpos moldados, consomem padrões (instituídos e lançados por aquela mesma mídia citada logo aí acima, a publicidade e o jornalismo).
A aparência sobre a essência das coisas. Em quase tudo.
O que vale, para muitos, é construir uma imagem e tentar sustentá-la. Outros tantos vivem disso. É profissão. Vide a política.
(E ainda os especialistas em comunicação, design/estética, moda and so on, já citados)
Somos responsáveis e vítimas neste circuito.


Em outra esfera, como em nenhuma outra época, nesses últimos anos, a vida tem sem concretizado, em grande parte, no mundo virtual.
Aqui, como na vida real, a “grama do vizinho” parecer ser sempre mais verde… a vida (o perfil) do suposto amigo, parecer ser mais legal, mais emocionante, mais cheia de amigos.
E isso é validado pelas fotos, pelo número de scraps, de comentários.
Como ela já comentou em outro post, as pessoas dão muita atenção para o que as pessoas estão fazendo on-line, que se torna um mundo nosso também.
Só existimos (e somos válidos) se nos constituirmos também nesses espaços, se tivermos esse DNA virtual.
Pra ela, a internet é muito mais que um simples espaço de interação entre conhecidos que podem vir a ser amigos, ou de velhos amigos. A web é hoje, também, um lugar de auto-afirmação, de construção de identidade, de exibição, de voyerismo e, também, claro disputa de egos (sem entrar aqui em interesses de outra ordem). Espaço de sedução. No mínimo, curiosidade e entretenimento.
Fotografias, msgs, vídeos, música – a tecnologia -, e os próprios veículos de comunicação, especialmente a internet vieram, sim, pra facilitar as relações entre as pessoas, ao mesmo tempo em que potencializam egos, as diferenças, o encontro entre os iguais, um olhar mais pra si mesmo, pelo menos pras próprias fotos.
Alguns, sim, mais preocupados consigo mesmos, outros nem tanto. Talvez alguns mais narcisistas que os outros, mais apaixonados pela sua imagem, ou por aquilo que querem projetar. Ou simplesmente “compartilhar” com os “vizinhos” (como é na last.fm) ou amigos (orkut)
Nem por isso menos bacanas.


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