.sensações, o ombro e a roda.

novembro 12, 2008 § 3 Comentários

Acho que só eu não tinha postado ainda. Mas queria falar tb. É fenomenal uma família negra assumir a toda-poderosa nação mundial. De alguma forma, isso vai mudar a cor do mundo político, bélico, econômico e da moda – este Michelle já vem demonstrando (+ aqui no Bernardo e aqui no Vitor Angelo).

Change, they can.

Viraram tema de coleções, de editoriais, a pauta da vez. Apoiados por celebridades.

obama

A RODA – Mas precisou Obama chegar “lá” pro mundo romper (se render) com um ainda preponderante arianismo. Sim, porque, a “manutenção” do racismo (em tudo), não sei se é (mais) triste, comovente ou patética. Mais ainda para a negritude

Pelo menos manifestações desse rompimento há. Se são pura demagogia é o que vamos ver.Tá bom, do meu ponto de vista louro, não preciso mostrar altruísmo aqui. A questão é pensar o impacto Obama em termos práticos e efetivos daqui pra diante. A conquista do cargo indica, em primeiro lugar, o desejo americano de outra direção, da diversidade, da aceitação das diferenças (pra reverberar no resto todo). Mas até onde vai dar?

Como vai ser na moda “from now on”, se a moda é racista, como explica Vitor Angelo? Vamos mesmo ter mais negras/os nas passarelas e campanhas? Ou isso é só um frisson? Vão preponderar os negros como serviçais em filmes e novelas?

O fato é que os padrões de beleza e moda envolvem questões tão complexas quanto a política e a economia, campos em que business ditam as regras. Há várias coisas enraizadas, impregnadas, sabe, para brancos e negros, que levam gerações para gerar mudanças de pensamento e comportamento.

Falo da minha experiência familiar e da cultura e história brasileiras, acostumadas às infiltrações colonizantes da espécie racista que levaram os designers (e todo o mundo) a uma tendência a se inspirar num “tipo de mulher caucásico” (GILBERTO FREYRE, 1986).

A mulher branca, a superburguesa.
Desde sempre muitas querem ser louras magras e de cabelão, tipo européias (não tô nem me excluindo). Um ideal introjetado historicamente e reiterado pela publicidade, cinema, revistas, programas de TV.

SENSAÇÕES – A família Obama abriu as portas para uma new generation. Pelo menos pra uma nova fase. Uma democratização? Está em aberto. Do que eu não sei bem. Já deram vários passos nesses últimos meses, porém. They can change. Ainda bem.

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Versos (editados propositadamente) do poema beatnik América, de Allen Ginsberg, extraído de ‘UIVO, Kaddish e outros poemas‘, que embora faça alusão a outro momento, senti próximo do nosso mundo americano. Now, we can believe.

América eu lhe dei tudo e agora não sou nada.
América não agüento mais minha própria mente.
América quando acabaremos com a guerra humana?
América por que suas bibliotecas estão cheias de
lágrimas?
Estou cheio das suas exigências malucas.
Quando poderei entrar no supermercado e comprar o que
preciso só com minha boa aparência?
América pare de me empurrar sei o que estou fazendo.

Eu estou falando com você.
Você vai deixar que sua vida emocional seja conduzida
pelo Time Magazine?
Estou obcecado pelo Time Magazine.
Leio-o toda semana.
Sua capa me encara toda vez que passo furtivamente
pela confeitaria da esquina.
Está sempre me falando de responsabilidades. Os homens
de negócios são sérios. Os produtores de cinema são
sérios. Todo mundo é sério menos eu.
Passa pela minha cabeça que eu sou a América.
Estou denovo falando sozinho.

América tudo isso é muito sério.
América essa é a impressão que eu tenho ao assistir
televisão.
América isso está certo?
É melhor eu por as mãos à obra.

De qualquer forma sou míope e psicopata.
América estou encostando meu delicado ombro à roda.


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§ 3 Respostas para .sensações, o ombro e a roda.

  • dusinfernus disse:

    acho que o valor simbólico da vitória de Obama é fantático, só isso já significa mudanças, mesmo que ele não faça nada, nos decepcione ou mesmo seja medíocre e surja – como sempre – uma contra-reforma culpando os negros pelo desastre.
    mesmoa ssim, ele mudou o paradigma de que os negros não eram capazes, ele deu capacidade concreta aos negros e isso é incrível!

  • é certo, vitor! as transformaçoes concretas vêm e virão da própria força desse resultado. que venha o resto. adorei tua vinda até aqui. bj!

  • Marti disse:

    Elegante como a Michelle Obama é, acho difícil não rolar um impacto dos grandes no mundo da moda… SOU FÃ DEMAAAAAAAIS DELAAAAAA.

    Enfim, não sou loira nem preta – sou “vira-lata” como o Obama e acho que se a moda teve um papel importante na manutenção de padrões de beleza caucasianos, ela também foi extraordinária no quesito mudanças (vide as modelos ‘exóticas’ de Yves Saint Laurent).

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