Tyronne street

agosto 11, 2010 § 1 comentário

Me and you and everyone we know” é um filme da artista multi-tasking Miranda July (também já escrevi sobre ela aqui) que simplesmente “boom!”, surge na minha cabeça volta e meia, sem eu querer, como um balãozinho. Isto porque trata de coisas simples do nosso cotidiano: os mistérios das conjunções, como diria Maffesoli. Mas que mistérios?
Ora, as relações de amor, de amizade e até de trabalho entre as pessoas e todo o entorno que nos interessa.

A cena da rua “Tyrone Street” é uma especial que me marcou muito. Olha porque:

O diálogo, cheio de metáforas, é de uma delicadeza que faz que a gente queira que algo assim nos aconteça.
Mas isso exige que a gente abra as janelas do coração. De fato.
Você já fez isso?
beijones.
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[Peguei o diálogo traduzido daqui]

Christine: Eu não estou seguindo você. Estacionei meu carro para lá.
Richard: No smart Park?
Christine: Não, no Front Street
Richard: O meu ficou no Smart Park.
Christine: Então, no final da próxima quadra vamos nos separar. Na Tyrone Street.
Richard: Aquela placa é na metade do caminho. Bem na metade do caminho.
Christine (sorrindo): Tipo aquele ponto num relacionamento em que você se dá conta de que não vai ser pra sempre…
Christine: …E já avista o final. A Tyrone Street.
Richard: Mas nós nem chegamos lá ainda.

Richard: Ainda estamos na parte boa. Nem estamos cheios um do outro ainda.
Risadas…
Christine: Eu não estou nem um pouco cheia de você. E olha que já faz, tipo, seis meses, não?
Richard: Seis meses? Então a placa é o marco dos oito meses? Só vamos ficar um ano e meio juntos?

Christine: Sei lá. Eu não quis parecer presunçosa. Nem sei se você é casado…
Richard: Não sou.
Richard: Bom… Sou separado. Nos separamos mês passado.

Richard: Eu estava pensando na Tyrone… daqui a vinte anos, pelo menos.
Christine: Ah, é?
Richard: É…
Christine: Na verdade, a Tyrone, pra mim, era nós dois morrendo de velhice. Teria sido uma vida inteira juntos. Essa quadra.
Richard: Perfeito. Vamos considerar assim.
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Depois disso, os dois ficam sem assunto.
Apenas continuam caminhando lado a lado num silêncio constrangedor, em direção ao fim da rua. Chegando à esquina, uma placa de trânsito é filmada de relance: “STOP”. […] Eles param ao lado da placa. […]

Christine: Bem, não dá pra evitar, todo mundo morre.
Richard: Posso acompanhar você até seu carro?
Christine: Talvez a gente deva se dar por satisfeito por ter tido esta vida juntos. É bem mais do que a maioria das pessoas consegue.
Richard: Certo.
Christine: Certo…
Christine: Bem, não tenha medo.
Richard: Tá…

Os dois sorriem
Christine: Vamos lá.
Richard: Vamos lá.

.
.
[Que bonito, né?]

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