e agora?

fevereiro 7, 2011 § 13 Comentários




OK GO

Originally uploaded by camilacamomila

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Quando recebo um e-mail “dani, minha mentora” ou algum ex-aluno vem falar comigo pedindo uma sugestão sobre que caminho seguir pós-faculdade, me dá um friozinho na barriga…. Não acho que eu possa ser tutora de outras carreiras (aliás, todo mundo quer um horizonte pra sua, né?).
Mas depois do e-mail que recebi hoje, perguntando se eu achava que a pessoa devia continuar estudando ou não, sobre fazer ou não pós ou mestrado, resolvi ponderar algumas questões.
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ENTÃO:

Vocês sabem que eu estou na metade do Doutorado. E se vc me perguntar se vale a pena continuar estudando eu sempre vou responder: vale. Vale muito!
Mas a carreira acadêmica é válida para alguns.
Então, olhe pra vc, no espelho, e pense: o que eu quero ser mais adiante?
Se quer ser pro-fes-sor(a), vá primeiro para o mestrado.
Se quer continuar (e se especializar) no mercado,
escolha uma pós-graduação em uma área que goste de trabalhar ou queira ainda atua
r.
Alguns acham que a pós é um trampolim para o mestrado, mas nao se engane, uma especializaçao nao prepara ninguém para a academia.

Um grande problema é que hoje todo mundo já sai da faculdade e se sente “atrasado”.
Há uma geração que enlouquece se não estiver fazendo tudo o que é ofertado: de cursos a shows, incluindo festas. É como se não participar gerasse um déficit de conhecimento – ‘síndrome do update’?!
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Então, tudo depende da sua ansiedade, para além do investimento de tempo e de dinheiro.
Não, eu não acho que a gente nao deva fazer cursos ou pós. Mas eu vejo que a busca de toda esta atualização e de querer tudo ao mesmo tempo agora (algo que eu sinto também)… impede-nos, muitas vezes, de parar, apreender e aprender. A gente não para para ler os livros recomendados (de papel ou nos tablets, pra quem pode), entender por que estamos ouvindo tal música,
por que os jovens se rabiscam na boate, por que nos fazemos notar nas redes sociais com fotos e perfis criativos e temos vergonha, às vezes, de nos cumprimentar ao nos encontrar. Por que queremos ser diferentes e acabamos sendo iguais?
Ouvir nossa vó, gravar uma entrevista com nossos pais, fazer um vídeo e postar no youtube, flanar e fotografar.
Deixar as ideias maturarem pode valer mais que qualquer curso
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É a ponderação desses fatores que vai definir se vc vai dar um “passo adiante ou um caminhar na esteira, matriculado ou não“.
Boa sorte!

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§ 13 Respostas para e agora?

  • ‘Sïndrome do Update’ é um ótimo conceito para a urgência pós-formatura destes tempos.
    Adorei o texto, inspirador como sempre!
    Beijoca e saudade!
    Ana*

  • Elisa Fonseca tem parte neste conceito. Amao vcs! saudades idem. :***

  • Daiane Costa disse:

    Inspirador mesmo.

    Ser professor (a) é ter esse dom aí também!
    – –

    Sempre me sinto desatualizada…God \o/

  • Pedro Henrique Reis disse:

    Infelizmente, Dani. Discordo de ti. Dependendo da área – e na área da comunicação, que é da qual posso falar, é uma delas – é melhor ir por mercado de trabalho mesmo e depois voltar e fazer o mestrado – se possível concomitantemente. Eu fiz essa opção: me formei daí fui estudar sociologia e fazer o mestrado. Fiz o mestrado e não consegui nem bolsa nem emprego. Estou no segundo ano de doutorado depois de defender uma diss com louvor e ainda nada de bolsa ou emprego. Todos os lugares que chamam pra ser professor é ou área prática ou simplesmente requerem experiência profissional na área.Então estou há 10 anos me preparando pra ser professor, fui bolsista de iniciação científica não uma mas duas vezes, participei de mais de uma dúzia de atividades extra-curriculares durante o mestrado, fundei grupo de pesquisa e agora faço parte de mais um mas não consigo ser chamado nem pra entrevista sempre com a mesma desculpa. Estamos procurando alguém com mais “prática”.

  • oi Pedro Henrique, que bom ter uma contribuição como a sua, que eu gostei MUITO e concordo..
    Nao cheguei a comentar/discutiri sobre mercado de trabalho, sobre a decisao entre ficar no mercado ou estudar.
    Daria outro post e, na minha opiniao, acho que os alunos têm mesmo que se formar e se jogar para o mercado de trabalho – meter a cara, SIM!
    O meu texto era sobre QUANDO o egresso decide estudar ou está nessa ânsia em se atualizar, qual seria o caminho tomar.
    Veja bem, acho que qualquer área, seja o mercado ou academia, infelizmente (ou não), exigem experiência.
    São poucas as universidades que contratam jovens professores, que na realidade “acordam” professores do dia para noite.
    Porque eu nem discuti no post, que o mestrado em Comunicação nao me habilitou a ser professora. Sou jornalista e, de uma hora para outra, com 25 anos, estava diante de uma turma de 40 alunos com 4 disciplinas diferentes. E a gente paga o preço por isso. Que nao é pouco.
    Eu cresci. e estou crescendo, aprendendo todos os dias.
    O Brasil tem um número grande de doutores e pesquisadores sem trabalho. É a nossa realidade. E não tem mercado para todo mundo.
    Mas, como em qualquer área, sem demagogia, não há espaço para todo mundo NOS GRANDES CENTROS. Mas há alternativas, principalmente em cidades do interior.
    Sobretudo, imagino que o ensino a distância, a despeito de ser uma ameaça, pode abrir grandes portas para nós.
    Não desista.
    beijos,
    Daniela.

  • […] This post was mentioned on Twitter by hinerasky, Bruna Zanardo. Bruna Zanardo said: RT @hinerasky vc já leu? http://bit.ly/eltNRe beijos […]

  • Pedro Henrique Reis disse:

    De forma alguma desistirei, Dani.
    Mas estou pensando seriamente em trocar de área. Sou especialista em teoria da comunicação, formado na Famecos, orientado por Ana Carolina e Rudiger. E tenho experiência sim como professor (de inglês e pelas atividades extras da bolsa de iniciação) e o mestrado foi pra mim sim uma formação. Essa ansiedade que sentiu dando aula pela primeira vez é algo que pra mim é tào normal quanto qualquer outra coisa. Estou totalmente preparado, o problema é que o “cartão de acesso” pra tu mostrar isso é uma experiência numa área/atividade que pouquíssimo tem a ver com dar aula de, por exemplo, teoria da com. ou muitas das outras disciplinas teóricas. O que acontece? O que vem acontecendo há tempos. Professores despreparados para dar aula de teoria, professores de “prática” querendo adaptar aquilo há 150 anos de estudos na área.
    Eu só me entristeço pq sempre foi meio objetivo: ser professor. Jamais quis ser jornalista, tanto que formei aos trancos e barracos em cadeiras práticas e ajudei dezenas de colegas nas teóricas. Tanto que minha mono foi um passeio e minha diss estava pronta dois meses antes de entregar (4 meses antes de apresentar).
    Sou muito a favor de que pra dar uma aula de redação o cara precisa saber de redação, ter vivivo/trabalhado numa. Mas a diferença entre o pensamento hegeliano de Schramm ou a fenomenologia husserliana nas proposições da filosofia da técnica de jacques ellul não se aprendem (ou pelo menos não se aprendem propriamente) escrevendo matérias.

  • Daiane, querida, obrigada pelo comentário tão gentil! e não se apavore… essa síndrome acho que é geral, né?
    beijos!

  • Dani…

    Você falou muito. Eu as vezes me sinto até um pouco mal. Pois nas rodas de amigos tem sempre muitos que comentam a quantidade de títulos que tem e tals (pós disso, certificação daquele outro). Não tenho nada contra quem opta por esse caminho, acho louvável mediante a dedicação do tempo e do dinheiro que isso requer, mas não consigo evitar alguns pensamentos do tipo: ” e quantos livros você realmente leu, e quantas idéias dessas que você está falando foram produto do seu pensar, e não são repetecos ouvidos de outro lugar, e o que você faz com tudo que recebeu, reteve algo realmente?” Eu acho que as pessoas na ansiedade (não maldade, apenas falta de visão) buscam desesperadamente títulos. E esquecem uma coisa essencial: o aprender! E esse não acontece só nos cursos, acho que acontece em todos os lugares, mas só com uma condição: querer aprender. Essa é a escolha: querer aprender. E aí o aprendizado acontece no trabalho, numa certificação, numa conversa franca com o chefe, vendo uma peça de teatro…

    (ai, desculpa, escrevi demais :) )

    E adorei seu artigo
    Bjos
    Kelly

  • Grazi disse:

    Dani.. querida
    Como foi bom ler teu texto hoje.. sabe que eu me formei e nm pensei duas vezes em me jogar no mercado de trabalho, mesmo com o pensamento de que se faz necessário seguir estudando.
    Hoje vejo claramente e exatamente como tu comento a necessidade de fazer uma especialização por que realmente quero seguir e me especializar no que estou fazendo.
    Hoje trabalho na CDL Santa Maria e faço a assessoria e marketing deles, estou feliz e satisfeita com minhas escolhas.
    Obrigada pelo texto.. adorei e ele veio exatamente na hora certa!

    Beijos.. te admiro mto de coração!!!

  • Olá, Dani :) Adorei essa tal de síndrome do uptade. ADOREI! A gente tem que se controlar, parece que temos que estar fazendo algo. Somos perseguidos pelo gerúndio e isso não é bom. Beijão.

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